Município de Ichu enfrenta a mais longa estiagem em 40 anos

29/10/2012 14:25

Ag. A TARDE

  • Com a seca, criadores de gado preparam cactos para o rebanho

A seca que atinge o sertão da  Bahia vem tirando o sono de várias famílias no município de Ichu  (a 198 km de Salvador), que têm na pecuária uma das principais fontes de sustento.

Quem chega à região logo se depara com a terra avermelhada,  aguadas secas e gado magro, cenário típico do flagelo. Parte dos animais já não se aguenta  de pé. Nas estradas, não há  só  galhos secos e muitas pedras, mas também ossadas dos animais que não resistiram. Não chove há mais de dois anos no município. A estiagem, considerada a pior nos últimos 40 anos, tem feito os produtores acumularem perdas de aproximadamente 50%  no  rebanho  de corte, seja por morte ou por necessidade de venda, para manter a criação alimentada, mesmo que precariamente. Na área leiteira, os prejuízos chegam a  70%, calculam os criadores.

Repasse baixo - Com uma população aproximada de 6.480 habitantes, o município de Ichu decretou estado de emergência. Mas, até o momento, o único valor liberado foi R$ 20.500 mil, que chegou no início do ano, para a distribuição emergencial de água. Além disso, 494 famílias foram contempladas com o Seguro Safra.

"Este número não atingiu nem 50% das famílias da zona rural, que hoje é de mais de 1.500. Mas, pelo menos, é um alívio. A ajuda que estamos tendo é de entidades não governamentais, sindicatos e cooperativas, que conseguiram  142 cisternas para o município. Mas, até o momento, só foram executadas 42", afirma Antônio Carneiro, vereador (PSB) e comerciante.

Na cidade, só existe um carro-pipa,   pertencente a uma empresa privada que cobra R$ 120 por viagem. Transporta  cerca de 8 mil litros de água para consumo humano. Se for água para animais, o valor cai para R$ 80. A água emergencial vem de Serrinha, situada a 28 quilômetros.

Palma e mandacaru - Ichu  já teve mais de 100 criadores de bovinos e caprinos, mas hoje há apenas 60, devido ao flagelo da seca. Entre eles, Valdomiro  Carneiro, 60 anos, pai de dez filhos, que ganha diariamente R$ 25. Valor gasto para alimentar, duas vezes ao dia, 47 cabeças de gado. Como os demais, ele faz da palma e do mandacaru  alimento para os animais.

"Estou dando mandacaru, que corto e descasco para oferecer ao gado, mas muitos nem esperam e comem de qualquer jeito. Mesmo assim, esta  planta  está em escassez  devido à procura. Essa é a pior seca que já vi na cidade. Haja sofrimento!", desabafa.

Prospecção - A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Cristiana Brito, diz que o município tem três aguadas enormes, mas todas estão secas. Em algumas localidades, existem poços artesianos. Entretanto, alguns foram desativados devido ao alto índice de chumbo.

"Estamos lutando para conseguir máquinas para a limpeza e abertura de minações ou cacimbas, e até de poços artesianos, em locais que a água é boa para o consumo", frisa.

Outras providências do Sindicato dos Trabalhadores Rurais ressaltadas por  Cristiana Brito são a procura por cestas básicas e a abertura de frentes de trabalho para as famílias flageladas. Em sua maioria - cerca de 70% -, estas famílias sobrevivem de benefícios sociais, como Bolsa Família e Pro-Jovem.

"Já levamos esta demanda para o governo municipal, que informou não ter condições. Agora, fomos para a esfera estadual. Também estamos buscando ajuda em outros órgãos, para conseguir amenizar o sofrimento das famílias com a seca. São quase  três anos de sofrimento", explica a  líder rural.


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